Dá para aprender inglês só com apps e inteligência artificial?

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Os brasileiros já usam a tecnologia para aprender inglês mais que qualquer outro método. Os atrativos são vários, mas aprender de um jeito gamificado, divertido e gratuito nem sempre é garantia de fluência na língua.

Pesquisa realizada pela Pearson no primeiro semestre de 2025 com 7 mil pessoas de todo o País mostra que os apps são a opção de 42% delas, deixando para trás as aulas convencionais dos antigos cursos de línguas, citadas por 37%. O Duolingo, com dezenas de milhões de downloads no Brasil, é o mais popular deles.

Apps e ferramentas de IA são cada vez mais usados para aprender língua estrangeira
Apps e ferramentas de IA são cada vez mais usados para aprender língua estrangeira

Os respondentes podiam escolher mais de uma opção para dizer como têm estudado inglês e o que ficou em segundo lugar foi “por conta própria”, com 40%. Não dá para imaginar que isso signifique um jovem lendo e fazendo apostilas impressas.

Muito desse suposto autodidatismo vem de pessoas que tentam aprendem a língua estrangeira com os inúmeros influenciadores nas redes sociais, que prometem ensinar falar inglês “com confiança” ou “como nativo”.

Há desde dicas para melhorar a pronúncia por meio de ferramentas de Inteligência Artificial até americanos sem qualquer didática, mas apaixonados pelo Brasil, ensinando como conversar com naturalidade na língua deles. A IA é citada na pesquisa como utilizada por 10% dos brasileiros no estudo de inglês.

Os aplicativos, principalmente, são um exemplo de um ensino pensado numa lógica de jogo, que deu origem ao conceito de gamificação da educação. Usam elementos como narrativa, feedback, níveis e recompensas, como medalhas e pontos.

As poucas pesquisas acadêmicas que já existem sobre o assunto falam que pode haver um ganho de aprendizagem, já que a gamificação traz mais motivação e engajamento para o estudante, o que é essencial, mas não suficiente. Ela precisaria vir sempre combinada com formas mais convencionais de ensino, como as aulas.

O que se conclui é que a tecnologia acaba ajudando a aumentar vocabulário e dar noções básicas de inglês. Mas aprender uma língua estrangeira requer muito mais. A compreensão de uma nova linguagem, explicam os linguistas, é um processo que pode durar a vida toda – até na nossa língua materna, imagina numa outra.

E aí entram as leituras, que vão se tornando mais complexas quanto mais se avança, os diálogos em que o aluno ouve, fala com o professor e com outras pessoas, acessa emoções e abstrações, e vai construindo junto aquele novo conhecimento – da mesma forma como nos alfabetizamos.

Mas as pessoas têm procurado o caminho mais fácil. A mesma pesquisa da Pearson mostra que cerca de 40% dos brasileiros já se sentem menos motivados a aprender inglês depois do advento da inteligência artificial, que traduz tudo com rapidez e eficiência.

E esse número só vai parar de crescer quando ficar mais claro qual será o valor de um ser humano que realmente fala uma língua estrangeira na sociedade do futuro. Até lá, melhor não apostar só nos apps.

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