Não é só na rede pública: os problemas de estrutura nas escolas particulares do Brasil

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Em um Brasil que discute um futuro com inteligência artificial e tem anseios de mais desenvolvimento e equidade, é chocante constatar ano a ano que ainda existem escolas públicas sem esgoto ou água potável. A falta desses itens considerados básicos para que se faça educação com um mínimo de dignidade são menos frequentes na rede privada, mas escolas particulares também não são exemplos de infraestrutura escolar.

A desigualdade é enorme entre as chamadas escolas de elite de São Paulo – com mensalidades que passam dos R$ 10 mil – e a maioria da rede privada espalhada pelo País.

Enquanto há unidades com impressora 3D e IA que ajuda a preparar para o vestibular, quase 40% da rede privada no Brasil, que atende do 6º ao 9º ano, não tem quadra esportiva. E 20% das escolas de educação infantil particulares do País não têm parquinho.

Na rede pública, os índices são mais assustadores, de 63% e 59%, respectivamente. Os dados são do Anuário da Educação Básica Brasileira 2025, elaborado pelo Todos pela Educação e divulgado esta semana.

É possível imaginar crianças de 0 a 5 anos numa escola sem brinquedos em que possam se pendurar, escorregar, balançar? Ou os mais velhos, de 10 a 14 anos, sem poder correr ou fazer esportes em um espaço destinado a isso?

Nos últimos anos, diversos estudos feitos no Brasil, Equador, Colômbia ou Etiópia mostraram que a infraestrutura escolar está positivamente relacionada à melhoria da aprendizagem. A relação não era percebida em pesquisas realizadas em países desenvolvidos por causa de uma maior homogeneidade das escolas.

Aqui, já se constatou até a melhora nos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em unidades com boas instalações. E uma análise feita pelo Banco Mundial indicou que as características físicas dos espaços podem explicar cerca de 16% da variação na aprendizagem dos alunos. Até a arquitetura influencia.

Isso pode ser explicado tanto pela relação de pertencimento a lugares pensados para crianças e adolescentes, o que favorece seu desenvolvimento, até pelo bem estar em salas mais iluminadas ou com a temperatura adequada – os dados do anuário mostram que só 42% das escolas do Brasil possuem salas climatizadas, em tempos de crise climática.

Espaços como quadras e parquinhos também são cruciais para que os estudantes se movimentem ou brinquem livremente durante o período em que estão na escola. O que impacta positivamente a concentração, a memória e o raciocínio lógico.

O mais cruel é que as escolas do Brasil sem esgoto, quadra ou parquinho são, em geral, as mais distantes dos centros e que atendem os alunos mais vulneráveis. Na região Norte, por exemplo, três em cada dez escolas públicas no Acre e em Roraima não têm água potável. Escola não se faz só com bons professores e currículo – não que isso esteja garantido no ensino brasileiro. Mas mesmo com cobertor curto, educação de qualidade significa também estrutura de qualidade.

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