Como é fácil voar de graça no Brasil! Basta ter cargo importante e o que oferecer em troca

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Enquanto milhões de brasileiros vivem com seus filhos em barracos, amontoados em morros, sem esgoto, higiene e o mínimo de segurança e conforto, os ricos e poderosos cruzam os céus do País – e do mundo – em jatinhos e jatões, próprios, alugados ou “emprestados”. Baratinho não é.

Os muitíssimo ricos do setor privado compram aviões para uso pessoal, se exibir por aí, fazer negócios e paparicar quem lhes possa garantir algum tipo de vantagem. Os poderosos do serviço público aproveitam seus 15 minutos de fama para usufruir do bom e do melhor, como, por exemplo, os jatinhos da FAB e seus brindes caprichados.

Aeronave do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, apreendida pela PF após sua prisão.
Aeronave do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, apreendida pela PF após sua prisão.

O famoso da vez, Daniel Vorcaro, por exemplo, voava alto, cruzava oceanos e, além de “aviões laranjas” de suas empresas, comprou três jatos ultramodernos para ele próprio, com um detalhe: à vista. Mais interessante ainda é como ele fazia uso das preciosidades: para o próprio desfrute, gracinhas com as namoradas e “ficar bem” com gente importante.

Está muito claro de onde vinha tanta grana para as extravagâncias de um espertalhão que virou banqueiro e, enfim, presidiário. Já o dinheiro para comprar e manter os jatinhos da FAB tem uma trajetória bem mais direta, nada tortuosa: sai do seu, do meu, do nosso bolso. Aliás, não esqueça: está na hora de fazer sua declaração de IR. O Leão é guloso, se você errar R$ 1 mil, tá ferrado.

Relatório do TCU, revelado por Vinicius Valfré, no Estadão, mostra como é bom voar nas asas da Panair, ops!, da FAB. Foram 791 voos em 2020, 1.531 (quase o dobro) em 2021, 1.879 em 2022, 2.124 em 2023 e 1.166 até julho de 2024. Como tantas coisas, o gosto por jatinhos oficiais não tem ideologia, vai de Bolsonaro a Lula em velocidade cruzeiro.

Voos realizadas pela FAB para transportar autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário custaram cerca de R$ 285 milhões aos cofres públicos de janeiro de 2020 a julho de 2024.
Voos realizadas pela FAB para transportar autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário custaram cerca de R$ 285 milhões aos cofres públicos de janeiro de 2020 a julho de 2024.

Em tradução livre do relatório, todo mundo voa para lá e para cá, não explica direito o motivo da “viagem a serviço”, na maioria das vezes o avião decola e gasta tripulação, combustível e quitutes com uma única autoridade e, daqui e dali, a lista dos passageiros é “descartada”, ninguém sabe, ninguém viu. Uma farra!

Assim, é muito fácil viajar de graça no Brasil, seja para leilões de cavalos em São Paulo, como um certo ex-ministro do governo, ou para jogos de futebol em países vizinhos e reuniões a dois com empresários esquisitões, como faziam dois ministros do STF, e vai por aí. Se você tem um cargo importante, a FAB, empresas e empresários estão à sua disposição.

Com base no relatório técnico, o plenário do TCU determinou à Casa Civil, ao Ministério da Defesa e à FAB que apresentem, em até 30 dias, um plano para tornar as regras mais rígidas, transparentes e, digamos, razoáveis. Defesa e Aeronáutica até podem gostar da ideia, mas a Casa Civil? Logo agora, com ministros novos, desconhecidos, doidos para tirar uma casquinha do poder efêmero?

A providência é como o tal Código de Ética do Supremo, muito bem vinda, mas de resultado duvidoso como tudo no Brasil, onde aventureiros tiram bancos da cartola e saem comprando todo mundo, qualquer Pablo Marçal vira um sucesso eleitoral da noite para o dia, inescrupulosos roubavam, roubam e vão continuar roubando até de aposentados e pensionistas do INSS. Ah! E o crime organizado voa em aviões supersônicos, ninguém pega.

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