Lula diz a Trump que ação militar na Venezuela teria efeitos colaterais, mas americano é evasivo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está bastante preocupado com uma ação militar norte-americana na Venezuela. Em telefonema ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira, 2, Lula disse a ele que o Brasil espera uma saída diplomática e política para o contencioso entre Washington e Caracas o mais rápido possível.

Na conversa, o presidente afirmou a Trump que uma ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela provocaria efeitos colaterais não apenas naquele território, com instabilidade geopolítica, crise de refugiados e até guerra civil, mas também consequências sobre o Brasil, a Colômbia e países vizinhos. Em outras palavras: a intervenção jogaria ainda mais gasolina na fogueira.

De acordo com relatos obtidos pelo Estadão, Lula destacou a importância de uma solução pacífica para o conflito. Trump, porém, foi evasivo sobre esse assunto. Não respondeu nem que os Estados Unidos vão bombardear a Venezuela nem que a tentativa de acordo está interrompida.

Lula, Trump e Maduro: brasileiro pede a americano que tente acordo com ditador venezuelano
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O governo brasileiro e a cúpula do PT não creem que os Estados Unidos tenham apoio da União Europeia nem da Rússia ou da China para uma operação militar na Venezuela. Em conversas reservadas, auxiliares de Lula observam que, por trás dessa disputa, há o interesse cada vez maior dos EUA nos barris de petróleo do país comandado pelo ditador Nicolás Maduro.

Nos últimos dias, Trump recusou todos os pedidos feitos por Maduro. O líder chavista condicionou sua saída da Venezuela à anistia para ele e sua família, ao fim do processo que enfrenta no Tribunal Penal Internacional e ao término das sanções americanas.

Trump deu a Maduro prazo de uma semana para deixar a Venezuela. O ultimato terminou na sexta-feira, 28. De lá para cá, as pressões de Washington sobre Caracas só aumentaram, com fechamento do espaço aéreo venezuelano. Até agora, forças militares comandadas por Trump já promoveram 21 ataques, no Caribe e no Pacífico, contra embarcações acusadas de tráfico de drogas.

Além de abordar a questão da Venezuela, Lula expôs a Trump, pela primeira vez, tudo o que o Brasil tem feito para combater o crime organizado, com operações da Polícia Federal montadas para asfixiar financeiramente as facções, como a Carbono Oculto.

Durante o telefonema, que durou 40 minutos, os dois trataram, ainda, das ramificações internacionais do narcotráfico. O presidente dos EUA demonstrou muito interesse em trabalhar junto com o Brasil para neutralizar as facções.

Lula ligou para Trump quando estava na refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, no interior de Pernambuco. Apesar de elogiar a retirada da sobretaxa de 40% imposta pelos EUA a produtos brasileiros como café, carnes e frutas, Lula pediu ao americano que acelerasse as negociações para reduzir as tarifas de 22% dos itens exportados pelo Brasil que ainda enfrentam esse problema.

Trump foi simpático: não disse nem sim, nem não. Mas, na interpretação do Palácio do Planalto, o fato de ter acionado sua equipe para se debruçar sobre o tema já significa que “piscou”.

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