Brasil sobe em ranking de liberdade de imprensa, mas entidade critica ‘uso de assédio judicial’

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A liberdade de imprensa no mundo está no nível mais crítico em 25 anos, aponta o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, relatório da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) que mede as condições para o exercício do jornalismo em nível global. A edição de 2026 do levantamento foi divulgada pela entidade nesta quinta-feira, 30.

O Brasil subiu onze posições desde o ano passado e 58 desde o ranking de 2022, conquistando a 52º posição no ranking de 180 países avaliados, consolidando uma trajetória ascendente desde 2022.

Apesar disso, segundo a Repórteres Sem Fronteiras, ainda que o ambiente contra jornalistas no País esteja menos hostil, há fatores que afastam os índices brasileiros de resultados ainda mais satisfatórios, como o uso frequente do chamado assédio judicial, que ocorre quando processos na Justiça são utilizados de forma meramente intimidatória.

Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa mostra Brasil na 52º colocação de 180 países avaliados; na imagem, a redação do 'Estadão'
Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa mostra Brasil na 52º colocação de 180 países avaliados; na imagem, a redação do ‘Estadão’

Com a melhora no ranking, o Brasil superou a posição dos Estados Unidos, que fez o movimento no sentido contrário, perdendo sete posições desde o levantamento passado e chegando ao 64º lugar global.

O levantamento é produzido a partir de cinco critérios de avaliação, levando em conta questões políticas, jurídicas, econômicas, socioculturais e de integridade física de jornalistas.

O relatório detalha, entre outras questões, em que medida os governos do mundo permitem a autonomia das mídias ou limitam o trabalho da imprensa.

Segundo o levamento, pela primeira vez na série histórica, mais da metade dos países avaliados está em situação considerada “difícil” ou “muito grave”. A pontuação média dos cenários nacionais é a menor em 25 anos de produção do relatório.

“O indicador legal é o indicador que mais caiu entre 2025 e 2026, muito por conta da instrumentalização de leis de segurança nacional e antiterroristas, que vem sendo aplicadas para criar uma lógica de assédio judicial e de criminalização do jornalismo”, disse o jornalista Artur Romeu, diretor da Repórteres Sem Fronteiras.

Entre as causas da deterioração da liberdade de imprensa no mundo, a ONG destaca, entre outros fatores, o enfraquecimento da economia midiática, a criação de mecanismos legais para reprimir jornalistas e o estímulo, por grupos políticos, de retóricas hostis contra repórteres.

Além dos Estados Unidos, outro destaque negativo do relatório é a Argentina, que perdeu onze posições em relação ao levantamento passado, chegando à 98º posição. Segundo Romeu, a Argentina de Javier Milei imita estratégias do governo de Donald Trump nos Estados Unidos e exemplifica uma tendência captada pelo levantamento a nível global: a deslegitimação, por governos, do papel da imprensa como meio de obtenção de informações, o que ocorre acompanhado de uma retórica beligerante contra repórteres.

“O governo Trump declarou uma guerra contra o setor de imprensa e essa postura extremamente virulenta tem um efeito cascata, autorizando, de certa forma, outros atores a provocarem esse tensionamento com a imprensa”, disse o diretor da RSF.

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